Rua da Aurora: excesso de eventos causa revolta à população
- Guilherme dos Santos, Vitor Morais e Thallys Salú

- 20 de mar.
- 2 min de leitura
Moradores relatam impactos causados pela grande quantidade de comemorações no local que se tornou palco concorrido na cidade

A Rua da Aurora, localizada às margens do Rio Capibaribe, na Região Metropolitana do Recife, é uma via histórica muito conhecida pela sua arquitetura colorida do século XIX, além de abrigar marcos históricos, a exemplo do Cinema São Luiz, Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) e a tradicional Feirinha da Aurora aos fins de semana. Por isso, o local é alvo de muitos turistas e, recentemente, tem sido utilizado como palco para grandes eventos, como shows, corridas de rua e celebrações carnavalescas. Apesar de sua riqueza cultural, a Aurora também é uma área residencial e a grande quantidade de eventos têm prejudicado a rotina de alguns habitantes.
Em entrevista, o professor da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) e morador da região Anthony Lins descreveu o problema: “Geralmente, finais de semana, tem havido muitas situações relacionadas à corrida de rua. A questão toda é que, como se trata de uma área residencial, apesar de que muitas pessoas não pensam nisso, estamos contemplando pessoas idosas, crianças, pets e trabalhadores que precisam ter o seu momento de descanso”, pondera. O professor ainda relata que é comum nesses eventos as pessoas gritarem bastante ou haver carros de som logo cedo, além de fogos de artifício, o que gera incômodos, independente da natureza do evento.

“Acho que a prefeitura, o governo em geral, deveria repensar a utilização daquele tipo de localidade para a realização de alguns eventos. Temos o Bairro do Recife e a área do Marco Zero para a realização desse tipo de evento de show”, completa Anthony. Segundo ele, os órgãos poderiam desenhar uma logística que contemplasse esse tipo de situação e não em um bairro com estrutura residencial, gerando várias dificuldades para quem mora na localidade.
Como forma de proteção aos habitantes locais, a legislação brasileira orienta como o cidadão deve lidar com tais situações. Nesse contexto, a advogada Dinah Pedrosa comenta:
"A primeira coisa que deve ser feita é o registro. Ou seja, gravar vídeos de dentro da residência, com janelas fechadas e abertas, que demonstrem claramente a interferência do ruído no ambiente doméstico. É fundamental que os vídeos registrem data e horário exatos. Pode-se filmar a tela de um computador com o horário oficial ou usar aplicativos que se inserem com a data e o horário”.




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