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Golpes digitais crescem enquanto roubos caem em Pernambuco

Foto do escritor: Jackson Augusto
Jackson Augusto
22 de mai.
2 min de leitura

Relatórios nacionais mostram aumento de fraudes virtuais e prejuízos causados por crimes cibernéticos


Queda dos crimes nas ruas contrasta com avanço das fraudes virtuais. Foto: Katrin Bolovtsova (Pexels)
Queda dos crimes nas ruas contrasta com avanço das fraudes virtuais. Foto: Katrin Bolovtsova (Pexels)

Pernambuco encerrou o primeiro quadrimestre de 2026 com redução de 34,1% nos Crimes Violentos contra o Patrimônio (CVPs), segundo dados da Secretaria de Defesa Social (SDS). O índice superou a meta de 30% do programa Juntos pela Segurança. Entre janeiro e abril deste ano, o estado registrou 9.724 roubos, contra 14.766 ocorrências no mesmo período de 2025.


De acordo com o secretário de Defesa Social, Alessandro Carvalho, os resultados refletem o planejamento estratégico do governo. O estado também acompanhou a tendência nacional de queda em crimes nas Mortes Violentas Intencionais (MVIs), registrando redução de 15,1%, com destaque para a queda de 36,8% nos casos de feminicídio.


Apesar disso, a redução do crime físico esconde uma migração da atividade criminosa para o ecossistema digital. Dados divulgados pelo Senado Federal apontam que mais de 24 milhões de brasileiros foram vítimas de golpes envolvendo Pix ou boletos entre julho de 2024 e junho de 2025, gerando um prejuízo estimado em quase R$ 29 bilhões. Um relatório da empresa de tecnologia antifraude BioCatch destacou que 51% dos brasileiros afirmaram ter sofrido algum tipo de golpe digital em 2024.


Golpes virtuais utilizam redes sociais, inteligência artificial e falsas plataformas para enganar vítimas em todo o país. Foto: Nikita Belokhonov (Pexels)
Golpes virtuais utilizam redes sociais, inteligência artificial e falsas plataformas para enganar vítimas em todo o país. Foto: Nikita Belokhonov (Pexels)

Um levantamento do Laboratório de Estudos de Internet e Redes Sociais da UFRJ (NetLab) identificou milhares de anúncios de golpes financeiros. Os criminosos utilizam inteligência artificial e deepfakes com a imagem de autoridades públicas para atrair as vítimas para sites falsos. Esse estudo também aponta que esses golpes circulam por meio de publicidade paga.


Além desses crimes, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) registrou um aumento impressionante de 314% nas ocorrências de falsas lojas virtuais no primeiro semestre de 2025 em comparação ao ano anterior.


A jovem Maria Eduarda, de 24 anos, foi vítima de um golpe ao tentar vender um notebook pela internet. Ela enviou o produto após receber e-mails falsos que imitavam o sistema de segurança do Mercado Livre.


"Durante todo o processo, ele se comunicava normalmente comigo, escrevia muito bem e parecia ser uma pessoa séria. Acabei acreditando e enviei o notebook. Quando o produto chegou ao destino, ele me bloqueou. Sofri muito emocionalmente e tive um prejuízo de cerca de R$ 4 mil", desabafa Maria Eduarda.

Assim como na maioria dos casos digitais, a impunidade impera. Maria Eduarda registrou o boletim de ocorrência, mas a investigação não avançou devido ao uso de e-mails falsos e endereços laranjas por parte do golpista. "Existe uma sensação constante de insegurança porque tudo parece muito convincente", conclui.

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