Privatização do metrô do Recife preocupa trabalhadores
- Eduardo de Chiavo e Matheus Portela

- há 3 dias
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Atualizado: há 1 dia
Edital do processo deve ser publicado no segundo trimestre, enquanto funcionários temem demissões e mudanças no sistema

O processo de privatização do Metrô do Recife deve avançar nos próximos meses. A previsão é que, no segundo trimestre deste ano, o edital do leilão seja publicado após a aprovação dos órgãos de controle responsáveis.
A medida foi definida em 2025 a partir de um acordo entre o Governo de Pernambuco, representado pela governadora Raquel Lyra, e o Governo Federal, sob a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O sistema metroviário da capital pernambucana enfrenta há anos dificuldades estruturais, como falta de investimentos, paralisações frequentes, falhas na rede aérea, superlotação e problemas de climatização nas composições.
De acordo com estimativas apresentadas no processo, seriam necessários cerca de R$ 3,5 bilhões para a renovação do sistema, além de um custeio anual entre R$ 200 milhões e R$ 250 milhões para manutenção e operação do metrô.
A possibilidade de privatização, no entanto, tem gerado apreensão entre os trabalhadores. O Sindicato dos Metroviários de Pernambuco (Sindmetro-PE) demonstra preocupação principalmente com a situação dos mais de 1,5 mil funcionários concursados que atuam no sistema. A entidade teme que parte desses profissionais possa perder o emprego, como ocorreu em processos semelhantes realizados nos estados de Minas Gerais e do Rio de Janeiro.

Entre os trabalhadores, o clima é de incerteza. Mário, funcionário do metrô entrevistado para a reportagem, afirma que há receio de cortes no quadro de pessoal e de substituição de funções por sistemas automatizados.
“Vão tirar metade do administrativo, os técnicos (serão) substituídos. Bilheteria, tudo, todo mundo. Vai virar máquina...”, declarou.
Outro funcionário, Mauro, também demonstrou preocupação com as mudanças previstas e afirma que os seguros de risco devem ser aplicados apenas aos novos técnicos contratados após a possível privatização.
Apesar das críticas de parte dos trabalhadores, a proposta conta com apoio de autoridades locais. O prefeito do Recife, João Campos, declarou ser favorável à medida, argumentando que a mudança pode representar melhorias na segurança e no serviço oferecido aos usuários do sistema.




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