Eleitores da 3ª idade se destacam com avanço da IA
- Aluízio Marques e Carolina Scavuzzi

- há 3 dias
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Especialistas alertam para riscos de desinformação nas redes sociais diante do público idoso durante o período eleitoral

Segundo o art. 14 da Constituição Federal, o voto é facultativo para cidadãos com mais de 70 anos. Ainda assim, a participação desse público nas eleições é considerada importante por especialistas, por representar um exercício de cidadania e fortalecer a democracia. Mas, com a aproximação de novos pleitos eleitorais, cresce também a preocupação com a circulação de conteúdos falsos nas redes sociais, sobretudo entre pessoas idosas. A disseminação de mensagens e vídeos manipulados, impulsionada pelo uso de novas tecnologias, tem sido apontada como um desafio para o processo eleitoral.
Mesmo com o voto facultativo, muitos idosos seguem participando das eleições. É o caso de Dorothi Lira, estudante do quarto período de Jornalismo da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), que, aos 92 anos, afirma continuar comparecendo às urnas. “Acredito que é um dever cívico e incentivo outras pessoas da minha idade”, relata.
O professor de ciência política da Unicap, Antônio Lucena, destaca que o avanço de deepfakes e conteúdos produzidos com Inteligência Artificial (IA) exige maior atenção, especialmente entre o público da terceira idade. Segundo ele, é necessário ampliar políticas públicas voltadas ao tema e fortalecer iniciativas de conscientização. “Essa será a primeira eleição com uso massivo de Inteligência Artificial”, alerta. Lucena também defende a importância da alfabetização digital, com apoio de familiares, para evitar a propagação de vídeos e notícias enganosas entre pessoas mais velhas.

No Brasil, o tema também ganha visibilidade no dia 1º de outubro, quando são celebrados o Dia Internacional das Pessoas Idosas e o Dia Nacional do Idoso. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), divulgados em 2025, eleitores com mais de 70 anos representam cerca de 23% do eleitorado brasileiro. A Justiça Eleitoral reforça a necessidade de ampliar a inclusão desse público no processo democrático, garantindo dignidade e autonomia na participação política.




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