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Fim da escala 6x1 avança e mobiliza debate no Recife

  • Foto do escritor: Lívian Carvalho
    Lívian Carvalho
  • há 4 dias
  • 2 min de leitura

Entre trabalhadores e comércio, proposta amplia discussão sobre jornada e qualidade de vida


Edson (E) avalia como adaptar o negócio após a mudança. Foto: Lívian Carvalho (Entrepontes)
Edson (E) avalia como adaptar o negócio após a mudança. Foto: Lívian Carvalho (Entrepontes)

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou, na última quarta-feira (22), a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6x1, jornada de seis dias de trabalho por um de descanso. Agora, o texto será analisado por uma comissão especial e segue para plenário na Câmara.


No Recife, onde o comércio e serviços operam sob jornadas extensas, trabalhadores relatam os efeitos dessa escala. Luciene Cavalcanti trabalha com atendimento ao público e relata que a rotina compromete atividades básicas e impacta sua saúde física e mental. “A limitação de tempo fora do trabalho dificulta resolver coisas como banco e consultas médicas. Me sinto esgotada sempre. A vida social quase nem tenho”, afirma.


O fim da escala 6x1 representa mais descanso e tempo com a família. Foto: Luciana Cavalcanti (acervo pessoal)
O fim da escala 6x1 representa mais descanso e tempo com a família. Foto: Luciana Cavalcanti (acervo pessoal)

Do outro lado do debate, o comerciante Edson Anselmo, proprietário da “Loja dos Rolamentos”, no bairro de São José, no centro do Recife, avalia que a mudança é positiva, mas cobra apoio ao setor. "A decisão é boa para os trabalhadores, mas eu também sou trabalhador. O governo precisa dar algum respaldo para o empreendedor, como a redução de impostos”, afirma.


Ele acrescenta que a medida já apresentou resultados em outros países e que a sua empresa deve se ajustar à nova realidade, criando uma escala entre os funcionários ou fechando aos sábados.


O cientista político e advogado Manoel Moraes avalia que o debate envolve disputas estruturais. “O atual modelo econômico já é baseado no conflito de interesses e o que estamos assistindo é uma luta pela ampliação do humano sobre o capital”, comenta. Ele também aponta impactos na dinâmica democrática:

“Uma sociedade com mais tempo disponível pode melhorar a qualidade da política, ampliando a consciência cidadã e a participação social”.

Com o avanço da PEC, o debate sobre o papel do trabalho e os limites entre produtividade e qualidade de vida ganha força no campo político.

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